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28/08/2010 Vivência em Constelação Familiar
A vivência será realizada na Rua Engenheiro Alcides Barbosa,29 (jd América, próximo a esquina da av. Brasil com av. Rebouças)
Horário: Das 14h00 as 18h30
 
 

04/05/2010 A mãe

Em nossa mãe nos originamos. Nela o sêmen de nosso pai encontrou o óvulo e se fundiu com ele. A célula fecundada nidificou em nossa mãe. Assim nos fundimos com ela e nela nos desenvolvemos. Ninguém esteve jamais tão próximo de nós quanto ela, e a ninguém estivemos jamais tão unidos.
Ela foi a nossa primeira e mais profunda felicidade, pois a felicidade não é mais que a união, a fusão com alguém ou com algo que experimentamos como semelhante ao ser humano – por exemplo, com Deus. Somente essa fusão torna íntima a felicidade.
O que dizer da infelicidade? A primeira infelicidade, a primeira experiência dolorosa de infelicidade, foi a separação da mãe no nascimento. Por isso, nosso primeiro som foi também um grito de dor. Do mesmo modo como a experiência primordial da fusão coma mãe continua atuando e é buscada de novo, em toda felicidade; a experiência primitiva da separação da mãe atua em toda infelicidade e se associa a ela. Assim, em nossa alma, associamos à nossa mãe a infelicidade e a felicidade. Não há, para nós, experiência de felicidade sem infelicidade e nem experiência de infelicidade sem felicidade.
Desta maneira, a felicidade pura é para nós apenas um sonho, mas é sempre sonhada de novo: por exemplo, quando nos apaixonamos.
Quem se enamora mais apaixonadamente? Aquele que sentiu mais dolorosamente a separação da mãe. Nisso não há diferença entre homens e mulheres. Quem se decepciona mais profundamente no amor? Aquele que é forçado a reconhecer que o parceiro não satisfaz e nem pode satisfazer o sonho da primeira fusão com a mãe. Não obstante, depois da fusão com a mãe, a fusão amorosa com o parceiro ou a parceira é experimentada como a mais satisfatória e mais íntima das uniões humanas, a que mais se aproxima das uniões humanas, a que mais se aproxima daquela primeira fusão, é como que um retorno a ela. Esta é, talvez, também a razão pela qual essa união vincula também entre si os parceiros, como antes vinculou a criança a sua mãe. Por isso, a separação de um parceiro é vivida com um sofrimento semelhante ao que se sentiu na primeira separação da mãe.
No entanto, só podemos crescer através da união e da separação, da felicidade e da infelicidade.
O desejo original de fusão com a mãe é também uma força impulsionadora na busca de Deus, sempre que se busca consolo é união mística com Deus. Essa união é freqüentemente descrita com a imagem das núpcias, onde Deus é o noivo e a alma a noiva. Contudo, no que tange ao sentimento, aqui se trata, em última análise, da fusão com a mãe. Por isso, esse caminho espiritual, para ser bem sucedido, também exige a experiência da separação, do abandono, da noite escura da alma, que exclui o saber e o querer. Em suma, exige uma purificação que consiste na renuncia a toda consolação, no recolhimento vazio.
Fui longe demais nesse tema? – Talvez. É que teci pensamentos a respeito. Pensamentos a caminho.

Do livro: Pensamentos a caminho
Bert Hellinger
Ed Atman

 
 
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