02/10/2009 O que torna as crianças felizes?
As crianças ficam felizes quando seus pais, ambos os pais, estão felizes com elas. E quando é que ambos os pais ficam felizes com a criança? É quando cada um respeita e ama na criança o seu parceiro (a sua parceira) e se alegra com ele (com ela).
Falamos muito de amor. Mas quando é que o amor se mostra em sua forma mais bela? É quando eu me alegro com a outra pessoa, exatamente como ela é. É quando nos alegramos com nossa criança, exatamente como ela é.
O poder que os pais percebem ter sobre os filhos e, sobretudo, as mães o sentem de forma particularmente profunda, na medida em que vivem tanto tempo em simbiose com eles, deve ser vivenciado como uma missão. Não como um poder pessoal, mas como um poder temporário, a serviço da criança.
Algum tempo atrás, num dos meus cursos, compareceu uma mulher, trazendo no colo uma criança de cinco meses. Estava sentada ao meu lado, e eu lhe disse: “Olhe através da criança, para algo que está longe, atrás dela”. Ela olhou para longe, através da criança. De repente, a criança respirou profundamente e sorriu para mim. Ela ficou feliz. Assim, nessa relação que ultrapassa a criança, ambos ficam mais livres: os pais e a criança. Ambos podem ajustar-se melhor a sua própria destinação, alegrar-se com ela, e assim deixam livre o outro, na medida em que isso é necessário.
O que é esse algo distante, para onde a mulher dirigiu o olhar? É o destino de cada um, o seu próprio destino e o da criança. É, até mesmo, algo além do destino. É algo que permanece oculto de nós. Em sua presença permanecemos humildes; não obstante, sabemos que isso nos conduz e sustenta de um modo particular.
Fonte:
Livro - Gluck, das bleibt (Felicidade que permanece) BERT HELLINGER.
Tradução: Newton Queiroz
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